Nesses dias carregados de notícias avassaladoras para o Brasil, aos poucos, fomos publicando para os nossos leitores entrevistas e comentários de clérigos e homens de Igreja, como contribuição para os católicos, em meio a essa crise política que tem se intensificado no país.
Abaixo publicamos mais uma entrevista. Dessa vez com o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do Pró-Vida de Anápolis.
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ZENIT: Qual deveria ser, na sua opinião, a atitude dos bispos do Brasil perante a conjuntura política atual? Nossa redação tentou entrevistar alguns prelados, solicitando as suas opiniões, mas não obtivemos resposta. Bem verdade também é que aos poucos alguns se pronunciaram por meio de notas ou nas redes sociais.
Pe. Luiz Lodi: Seria bom recordar o que diz a Constituição “Gaudium et Spes”, do Concílio Vaticano II:
“A Igreja que, em razão da sua finalidade e competência, de modo algum se confunde com a comunidade política e nem está ligada a nenhum sistema político, é ao mesmo tempo sinal e salvaguarda do caráter transcendente da pessoa humana” (GS 76).
É inadmissível, portanto, que a Igreja se torne instrumento de partidos políticos, sobretudo daqueles que, por sua índole socialista, como o PT e outros, consideram cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social (Cf. S. JOÃO PAULO II, Centesimus annus, n. 13).
No entanto, o Catecismo da Igreja Católica, citando a “Gaudium et Spes”, faz uma importante ressalva:
“Faz parte da missão da Igreja emitir juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas” (Catecismo, n. 2246, citando GS 76).
No momento atual, está em jogo a perpetuação ou não do jugo socialista sobre os brasileiros, com todas as suas nefastas consequências: a imposição da ideologia de gênero, a destruição da família e a legalização do aborto, sem falar das injustiças sociais próprias de um regime totalitário. Os direitos fundamentais da pessoa estão clamando, a salvação das almas grita por uma voz que norteie os brasileiros neste momento crítico.
Um pronunciamento dos Bispos neste momento seria mais do que oportuno. Seria cumprir o dever de supervisor (“epíscopos”) da porção do Povo de Deus a eles confiada.
ZENIT: Como a Igreja Católica no Brasil pode ajudar nesse processo de conscientização política da população?
Pe. Luiz Lodi: A hierarquia da Igreja – incluindo os bispos, presbíteros e diáconos – deveria, a meu ver, relembrar ao povo brasileiro as perenes verdades da Doutrina Social da Igreja, em particular: a condenação severa do comunismo desde o tempo de Pio XII e a condenação do socialismo, mesmo em sua versão “moderada”, por São João XXIII (cf. Mater et Magistra, n. 31), o respeito à propriedade privada (cf. Catecismo, n. 2403), o dever de opor-se ao aborto como “crime nefando” (Gaudium et Spes 51), a primazia da pessoa sobre a sociedade e a rejeição do totalitarismo socialista (Catecismo n. 2425).
ZENIT: Um sacerdote não é um agente público, mas, ainda assim, ele tem alguma função política em uma nação, ou só rezar?
Pe. Luiz Lodi: A oração está na base de tudo. Mas ela não pode servir de pretexto para a omissão. Pedro orava, mas ao mesmo tempo não deixava de anunciar, mesmo sob as ameaças do Sinédrio: “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4,20).
É dever meu, como sacerdote, não apenas exortar de maneira vaga e imprecisa, mas informar ao povo quais são os partidos políticos cujas ideologias são incompatíveis com a fé e a moral cristãs.
Se tivesse havido tal esclarecimento nos últimos vinte anos, jamais o PT teria chegado ao poder.
ZENIT: Como cidadãos, na sua opinião, os clérigos deveriam apoiar o povo nessa hora? Como?
Pe. Luiz Lodi: Seria bom que fizessem o que foi feito no início dos anos 60, quando o Brasil estava prestes a se tornar uma colônia da Rússia Soviética. Naquela época, os Bispos conclamaram o povo para uma gigantesca “Marcha da família com Deus pela liberdade”. Não fizeram outra coisa a não ser suplicar, com o rosário nas mãos, que o Brasil fosse livre da maldição do comunismo. A Providência Divina encaminhou os acontecimentos rumo a uma intervenção militar que, naquele momento, deu algum alívio às famílias, às crianças e à sociedade brasileira.
ZENIT: O que significa a paz? Só uma ausência de guerra?
Pe. Luiz Lodi: Segundo definição clássica, paz é a “tranquilidade da ordem”. No momento, vemos a desordem imperar em um país livre. Não pode haver paz se as leis não são respeitadas, se o desvio do dinheiro público não é punido, se um ex-presidente vindo do “povo” torna-se inexplicavelmente um milionário, se as investigações judiciais são impedidas por manobras políticas. O PT, com sua ideologia anticristã, é um dos grandes inimigos da paz.
ZENIT: Que mensagem você daria, como sacerdote, aos brasileiros, nesse momento político único e inédito que estamos vivendo?
Pe. Luiz Lodi: Não deixem de orar pelo Brasil nem de erguer a voz contra os que desejam destronar o Senhor de nossa pátria.
Não se esqueçam de recorrer à Virgem Aparecida, padroeira de nosso país, e a seu providentíssimo esposo São José, cuja festa celebramos hoje.
Embora este cativeiro pareça interminável, Deus tem poder de pôr fim a ele, com fez com os judeus cativos na Babilônia.